No vídeo acima explico um pouco o que é ansiedade, ou se preferir pode ler o texto abaixo.

Todo mundo já experimentou ansiedade alguma vez na vida, ela faz parte de nós. Você pode sentir-se ansioso antes de uma prova, quando vê aquela garota bonita e quer chegar conversar com ela, quando acha que o chefe vai te dar uma bronca, ou ainda quando tem muitos problemas e não consegue parar de pensar neles.

Os sintomas de ansiedade que as pessoas mais conhecem são: aquele aperto no peito e desconforto na boca do estômago, uma inquietação que faz a pessoa querer estar se mexendo a todo o momento, ou ainda uma sensação de desconforto geral que ela não sabe a causa.

Porém, existem sintomas de ansiedade que são menos conhecidos e podem ser confundidos com outras coisas, são eles: fortes tonturas, manchas e borrões na visão, dormências ou formigamentos em várias partes do corpo, tensão e dor muscular, sentimentos de falta de ar que podem causar a sensação de sufocamento ou asfixia, e tremores nas mãos.

E quando a pessoa passa por estas situações ela não entende muito bem o que esta acontecendo, o que pode aumentar ainda mais o nível de ansiedade até um ataque de pânico, já que imagina que estão morrendo ou com uma doença grave.

Isso que te falei agora são sintomas de ansiedade, mas o que é a ansiedade?

Ansiedade é uma reação que o corpo tem frente a um perigo ou ameaça. A ansiedade pode ser entendida como uma resposta de luta e fuga já que seus efeitos estão todos voltados para lutar ou fugir de algum perigo. O objetivo número um da ansiedade é de proteger o organismo, então a ansiedade não é algo ruim em si.

Quando nossos ancestrais viviam em cavernas, era de vital importância ter uma reação imediata e automática quando defrontados com algum perigo. Se eles tivessem que ficar pensando no que fazer quando frente a um perigo, poderiam perder a vida.

Imagine a situação, o hominho das cavernas está andando e se depara com um tigre dente de sabre. Se ele para pensar “nossa, um tigre dente de sabre, que coisa, o que seja que ele está fazendo aqui? Acho que é melhor eu correr se não vou virar o almoço dele”… Até pensar tudo isso, já eras, ele virou jantar do gatinho.

Foi exatamente para este tipo de situação que a reação de ansiedade foi desenvolvida. Frente a um perigo o corpo automaticamente ativa o mecanismo de proteção de luta ou fuga, e o indivíduo não perde mais tempo pensando no que ele poderia fazer, ele só reage, ou chutando a boca do tigre ou saindo correndo.

A melhor forma de pensar sobre todos os sistemas de resposta de luta-e-fuga, ou seja, de ansiedade, é lembrar que todos estão voltados para deixar o organismo preparado para uma ação imediata, que seu objetivo primordial te proteger.

Quando identificamos alguma forma de perigo, ou antecipamos que algo ruim pode acontecer, o nosso cérebro envia envia mensagens à uma seção de nervos chamados sistema nervoso autônomo. Este sistema possui duas subseções ou ramos: o sistema nervoso simpático e o sistema nervoso parassimpático. São estas duas subseções que estão diretamente relacionadas no controle dos níveis de energia do corpo e de sua preparação para a ação. Colocado de uma forma mais simples, o sistema nervoso simpático é o sistema da reação de luta-e-fuga que libera energia e coloca o corpo para a ação; enquanto que o parassimpático é o sistema de restauração, que traz o corpo a seu estado normal.

Uma informação muito importante é que o sistema nervoso simpático tende a ser do tipo “tudo ou nada”, ou seja, quando ativado todas as suas partes vão reagir. Em outras palavras, ou todos os sintomas são ativados, ou nenhum é. Pode acontecer de ter apenas alguma mudanças corporais, mas elas são específicas de casos mais leves. Talvez o fato de ser tudo ou nada explique o porque dos ataques de pânico envolveram tantos sintomas.

Um dos efeitos principais do sistema nervoso simpático é a liberação de duas substâncias químicas no organismo: adrenalina e noradrenalina, que são fabricadas pelas glândulas supra-renais. Então o homem das cavernas está lá e vê o gatinho, ao identificar que o bichano pode trazer algum perigo seu corpo ativa o sistema de luta e fuga através destas substâncias. Por sua vez, a liberação da adrenalina e noradrenalina são indicadores por si só de que algo está errado, então mais destas substâncias são liberadas em um circuito que aumenta cada vez mais a ansiedade durante certo período.

Porém este ciclo de aumento da ansiedade não é infinito, ele pode ser interrompido de duas formas. A primeira é através da destruição da adrenalina e noradrenalina por outras substâncias do corpo, apesar disso demorar um certo tempo, acontece naturalmente. A segunda é pela ativação do sistema nervoso parassimpático, que tem os efeitos opostos ao simpático, e restaura a sensação de relaxamento.

É importante dizer que em algum momento o corpo se cansará da reação de luta-ou-fuga e ele próprio ativará o sistema nervoso parassimpático para restaurar o estado de relaxamento. Em outras palavras, a ansiedade não pode continuar aumentando indefinidamente e entrar num plano que seja prejudicial ao organismo. O sistema nervoso parassimpático é um protetor “embutido” que impede o sistema nervoso simpático de se desgovernar. 

Outra observação importante é que as substâncias mensageiras, adrenalina e noradrenalina, levam algum tempo para serem destruídas. Assim, mesmo depois que o perigo tenha passado e que seu sistema nervoso simpático já tenha parado de reagir, você ainda se sentirá alerta e apreensivo por algum tempo, porque as substâncias ainda estão “flutuando” em seu corpo. 

Isto é absolutamente natural e sem perigo, aliás, é uma função adaptativa porque, você pode achar que tem deu um olé no tigre porém ele te encontra de novo; ou seja, num ambiente selvagem o perigo geralmente tem o hábito de aparecer novamente, e é útil ao organismo estar preparado para ativar o a reação de luta e fuga mais rapidamente o possível.

A reação do sistema nervoso simpático produz uma série de mudanças no organismo para poder reagir ao perigo. Uma delas é o aumento dos batimentos cardíacos, bem como um aumento da força das batidas do coração. Isto é vital para a preparação da luta-ou-fuga, já que ajuda a tornar mais veloz o fluxo de sangue e assim melhora a distribuição de oxigênio nos tecidos, bem como a remoção de produtos inúteis nos mesmos. É devido a este processo que experimentamos um batimento cardíaco acelerado ou muito forte, típicos de períodos de alta ansiedade ou pânico.

Além da aceleração do batimento cardíaco, há também uma mudança no fluxo do sangue. Basicamente, o sangue é reduzido em algumas partes do corpo onde ele não é tão essencial naquele momento, através do estreitamento dos vasos sanguíneos, e é direcionado as partes onde é mais essencial, através da expansão dos vasos sanguíneos. Por exemplo, o fluxo de sangue é reduzido na pele e nos dedos das mãos e dos pés, o que é útil para que se a pessoa for atacada ou ferida de alguma forma não morra por hemorragia. Por isso, durante períodos de ansiedade, a pele fica pálida, sentimos frio em nossas mãos e pés, e até mesmo, algumas vezes, podemos sentir dormências ou formigamentos. Por outro lado, o sangue é direcionado aos músculos grandes, como os das coxas ou os bíceps, o que ajuda o corpo a sair correndo do tigrinho.

A reação de luta-e-fuga também está associada com o crescimento da velocidade e profundidade da respiração. Isto tem uma importância óbvia para a defesa do organismo, já que os tecidos precisam de mais oxigênio para estarem preparados para a ação. 

As sensações provocadas por este aumento na função respiratória podem incluir sensações de falta de ar, de engasgar ou sufocar, e até mesmo dores e pressões no peito. Também é importante pontuar que o efeito colateral decorrente do aumento da respiração, especialmente se nenhum perigo real ocorreu, é de haver uma redução do fluxo de sangue para a cabeça. Por ser uma quantidade insignificante, não chega a ser perigoso para a saúde, mas produz uma série de sintomas desagradáveis como tonteiras, visão borrada, confusão, fuga da realidade e sensações de frio ou calor fortes.

A ativação da reação de luta-e-fuga produz um aumento na transpiração. Isto tem função protetiva importante, como, por exemplo, tornar a pele mais escorregadia para que, dessa forma, fique mais difícil para um predador agarrar seu corpo e também serve para resfriá-lo de modo a evitar um superaquecimento.

A ativação do sistema nervoso simpático produz uma série de outros efeitos, nenhum dos quais prejudicial ao corpo. Por exemplo, as pupilas se dilatam para permitir a entrada de mais luminosidade, o que pode resultar em uma visão borrada, manchas na frente dos olhos e assim por diante. Ocorre também uma redução na produção de saliva, resultando em uma boca seca. 

Há uma redução na atividade do sistema digestivo, o que geralmente produz náuseas, uma sensação de peso no estômago e também constipação ou diarréia. Por fim, diversos grupos de músculos se tencionam preparando-se para lutar ou figir do perigo, e isto resulta em sintomas de tensão muscular, muitas chegando a causar dores reais e tremores nas mãos e nos membros.

Acima de tudo isso, a reação de luta-e-fuga gera em uma ativação geral do metabolismo corporal. Por isso uma pessoa pode sentir sensações de calor e frio. E porque este processo utiliza muito energia, depois que a ansiedade passa a pessoa se sente cansada e esgotada. 

Como já mencionado antes, a reação de luta-e-fuga prepara o corpo para a ação – seja atacar ou fugir. Por isso, não é surpreendente que os impulsos avassaladores associados com esta reação sejam os de agressão e de desejo de fugir. Quando estes não são capazes de serem realizados os estímulos serão frequentemente expressos por comportamentos como bater os pés, marcar passos ou insultar pessoas. Isto é, os sentimentos produzidos são como os de quem esta preso e está precisando fugir.

O efeito número um da reação de luta-e-fuga é alertar o organismo para a possível existência do perigo. Portanto, há um direcionamento automático e imediato da atenção para monitorar o ambiente em busca de ameaças em potencial, em detrimento de manter a atenção concentrada em algo que não é ameaçador. Por isso, passa a ser muito difícil concentrar-se em tarefas específicas quando alguém está ansioso. Inclusive é normal pessoas que são muito ansiosas se queixarem frequentemente de que não conseguem se concentrar, são facilmente distraídas durante tarefas do dia-a-dia, e tem problemas de memória.

Por sinal, este é outro ponto importante que preciso abordar. As reações de ansiedade, ou seja de luta ou fuga, foram desenvolvidas por nossos ancestrais nos tempos das cavernas e herdadas por nós. Porém, os perigos a que estamos sujeitos atualmente mudaram muito de forma, ou alguém ai já foi foi seguido por um tigre dente de sabre? Se você foi deixa ai nos comentários.

Atualmente temos muito mais perigos sociais do que ameaças que realmente colocam nossa vida em risco. Perigos sociais são situações de possível punição a que estamos sujeitos, mas que não trazem nenhum mal físico a nós. Por exemplo: aquela prova, você chegar na menina, ser rejeitado e passar vergonha, o chefe te dar uma bronca, ou aqueles problemas de boletos atrasados que você não consegue resolver

Porém o nosso mecanismo de luta-ou-fuga é exatamente o mesmo de nossos ancestrais, e ele não consegue diferenciar um perigo real, que pode nos trazer algum dano físico, de perigos sociais, que não nos trarão mal nenhum além do desconforto. Desta forma, a reação a um perigo social e um perigo real é a mesma, de proteção. Contudo, reações de proteção frente a um perigo real não são as mais adequadas para perigos sociais, todavia é a forma que o nosso corpo está programado para agir. E é assim que você se sente ansioso. 

Para finalizar, é importante dizer que temos a ansiedade momentânea, como reação a algo que aconteceu, por exemplo, ter que apresentar um trabalho na frente de todo mundo, e também temos a crônica, que é aquela ansiedade que aparece quando nossa vida tem vários perigos sociais dos quais não conseguimos nos livrar. E é esta ansiedade crônica que nos causa problemas à medida que pode levar a desencadear ataques de pânico, ou mesmo estar presente por muito tempo impedindo que façamos várias coisas da vida que não fugir dos perigos. Por exemplo, aquela pessoa que passa por muitas punições no serviço acaba ficando ansiosa sempre que se levanta para ir trabalhar, chega determinado momento que ela não quer mais trabalhar e pode adoecer.

Agora que você sabe o que é ansiedade, deixa ai nos comentários se você está sofrendo com este problema. E não esqueça de compartilhar este texto com seu amigo ou amiga ansiosa.

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