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Uma mulher que apanha do marido, uma namorada que é excessivamente ciumenta e controladora, um homem que acusa sua companheira de estar traindo ele sem nenhum tipo de evidência. Todos estes comportamentos podem estar presentes em relacionamentos abusivos. Mas você sabe diferenciar relacionamentos abusivos de atos abusivos dentro de um relacionamento? Continue comigo pra saber:

O que são atos abusivos em um relacionamento

O que é um relacionamento abusivo

Por que as pessoas tem tanta dificuldade de terminar um relacionamento abusivo

Como sair de um relacionamento abusivo.

Atos abusivos em um relacionamento

Um relacionamento pode ter atos abusivos porém não necessariamente ser abusivo em si. Entenda a diferença.

Quando falo em atos abusivos em um relacionamento me refiro a alguns comportamentos específicos, porém sem necessariamente ter o objetivo de controlar e criar na vítima dependência emocional. Por exemplo: um homem brigar com a mulher por causa da roupa que ele considerou inadequada, ou impedir que ela converse com determinados amigos, ou ainda não querer que ela trabalhe. Isolados estes são atos abusivos , porém não necessariamente vai fazer com que o relacionamento seja abusivo. Então o que é um relacionamento abusivo?

O QUE É UM RELACIONAMENTO ABUSIVO

Antes de falar sobre o relacionamento abusivo em si quero diferenciar do temo genérico “relacionamentos tóxicos“. O relacionamento tóxico é aquele que não está trazendo nenhum benefício para as pessoas que estão nele. Em um relacionamento tóxico as brigas podem ser constantes, as divergências frequentes e os sentimentos distantes. Entretanto não há uma tentativa de fazer a outra pessoa estar em um papel de submissão.

O que caracteriza um relacionamento abusivo é uma pessoa tentar ter poder sobre a outra, sobre seus pensamentos, seus sentimentos, suas vontades e seu modo de agir. Um relacionamento abusivo é uma disputa pelo poder através de violência física, psicológica, sexual e financeira.

Não é possível falar sobre relacionamento abusivo sem a disputa pelo poder. Uma mulher que apanha do marido quando este está bêbado sofre de violência doméstica, contudo o relacionamento pode não ser abusivo se hão houver uma tentativa de ter poder sobre ela em vários aspectos.

Perceba que estou colocando o homem como o agente que leva o relacionamento a ser abusivo. Não que mulheres não possam fazer isso, é que o mais comum é que sejam homens mesmo por causa do machismo. Relacionamentos homoafetivos também podem ser abusivos tanto quanto os heteroafetivos.

SINAIS DE UM RELACIONAMENTO ABUSIVO

A presença de alguns comportamentos que tenham por finalidade manter controle sobre a outra pessoa é a principal característica de relacionamentos abusivos. Veja abaixo uma lista com alguns desses comportamentos:

CONTROLE

Uma pessoa começa a decidir o que outra pessoa deve ou não fazer. Ela justifica esses atos como sendo por ter uma inteligencia ou capacidade superior a outra, ou pelo suposto sentimento que tem pela outra. Outra forma de manter o controle é com críticas a todo e qualquer comportamento da outra pessoa que lhe desagrade. Essas críticas constante podem fazer com que a vítima pare de fazer coisas que gostaria com medo da desaprovação de seu companheiro.

Exemplos: frases como “é porque eu te amo muito” e “é para o seu bem” são comuns, assim como “você não vai conseguir fazer isso, é melhor nem tentar”.

Existe uma forma muito sutil de controle que é através da chantagem emocional, marcadas por questionar o comportamento da vítima através de supostos combinados em um relacionamento. Por exemplo: “você preferente conversar com outras pessoas do que comigo” ou “se eu não falasse com você, você ficaria o dia inteiro sem falar comigo”.

DESQUALIFICAÇÃO

A desqualificação é um método para manter o controle, o abusador faz ela duvidar de sua própria capacidade e se tornar dependente dele. Faz isso questionando as decisões da vítima por razões supostamente racionais, mas que são escusas.

O abusador pode desqualificar os sentimentos da companheira por ele “se você me amasse não faria tal coisa”, a vontade dela de terminar o relacionamento “você acha que consegue viver sem mim? Você não consegue fazer nada sozinha”, a financeiras para manter-se “você não tem dinheiro para sair de casa e morar sozinha, vai voltar para a casa da tua mãe que não te quer?”, a capacidade de trabalhar “você acha que consegue pegar o ônibus todos os dias 6hrs da manhã e chegar em casa as 20hrs?”, o fato de ela não ter amigos “eu sou a única pessoa que atura você, seus amigos todos te abandonaram”, o isolamento da família “até sua família te abandonou, mas como eu te amo eu suporto seus chiliques”, entre várias outras coisas. Detalhe é que a dependência do abusador por parte da vítima foi criada por ele mesmo.

REQUERER PROVA DE SENTIMENTOS

Requerer que a pessoa faça ou deixe de fazer coisas como prova de amor é uma das características da violência psicológica em relacionamentos abusivos. A pessoa pode pedir para seu(a) companheiro(a) parar de andar com alguém, conversar com certas pessoas, ir a determinados lugares, usar certas roupas, etc. Para justificar estas exigências com uma moral distorcida “mulher comprometida não usa esse tipo de roupa”, “não existe amizade entre homens e mulheres”, “você sabe que não gosto disso, se você me ama não deveria fazer isso”.

AMEAÇAS DE SE MATAR EM CASO DE TERMINO

Uma das formas de manter uma pessoa em uma relação abusiva são as ameças de suicídio justificada por amor um suposto amor. Essas ameaças em muitos casos são veladas, a pessoa não diz diretamente que vai se mantar, mas começa a reclamar tanto da vida e falar que está triste que a outra fica com medo do suicídio do abusador no caso de termino.

Exemplo de frases comuns explícitas: “vou me matar se não estiver mais com você”, “te amo tanto que não consigo viver sem você”, “se você terminar comigo eu perco minha razão de viver”. Já as falas implícitas podem ser do tipo “estou me sentindo tão mal, eu não sirvo pra nada mesmo”, “não aguento mais nada dar certo na minha vida”, “não sei até quando vou aguentar passar por isso”.

CHANTAGEM EMOCIONAL

Se a pessoa não age como o abusador deseja, ele pode usar de chantagem emocional para controlar o comportamento da vítima. Essa chantagem pode ser de cometer suicídio, de terminar o relacionamento, de espalhar fotos íntimas, de mentir ou espalhar algo sobre sua conduta sexual. Outra característica da chantagem emocional é colocar a culpa de seu comportamento chantagista na outra pessoa.

Uma forma muito comum e sutil da chantagem emocional é o abusador se colocar em uma posição de vítima, de coitado, para gerar sentimentos de empatia e preocupação na outra. Comportamentos que podem ser usados para isso são: sumir por um período de tempo e justificar esse sumiço com um espaço para pensar, reclamar frequentemente de estar se sentindo mal, se colocar em alguma situação de risco (por exemplo, dirigir muito rápido ou sob efeito de alcool), auto-agressão (ex. dar soco ou bater a cabeça na parede, ou ainda sair sem blusa em um dia muito frio) e ainda usar frases pejorativas contra si mesmo (ex. “eu não sirvo pra nada mesmo, sou um merda”).

A chantagem emocional é a forma de agressão mais difícil de identificar e a pior para se livrar já que cria na vítima um senso de responsabilidade pelos sentimentos de outra pessoa, como se ela fosse a única que pudesse salvar o abusador e fazer ele ser feliz novamente. Isso se torna mais intenso ainda quando o agressor elogia e é romântico com a vítima por ter cuidado dele.

INVALIDAR OS SENTIMENTOS

Desqualificar o que a outra pessoa sente como se fosse bobagem. Isso acontece tanto que a própria pessoa acaba acreditando que seus sentimentos não são importantes.

CIUMES EXCESSIVO

O ciúmes deixa de ser normal e passa a ser uma forma de controle do comportamento do outro com impedimentos de falar com pessoas, de trabalhar, de sair, de ver familiares. O ciumes tem por objetivo isolar a vítima de outras pessoas.

ISOLAR A VÍTIMA

A coisa que o abusador mais deseja é separar a(o) sua(seu) companheira(o) de outras pessoas que podem ajudar ela a romper o relacionamento. Para isso ele pode usar de várias justificativas como questionar a moral ou a conduta das pessoas com quem ela se relacionamento, apresentar ciumes excessivo ou manipular para que as pessoas briguem. Depois ele justifica o isolamento da vítima como se ele fosse uma pessoa boa que, apesar de tudo, ainda atura a vítima, ou seja, ainda faz a vítima sentir que ela é a culpada de todo o isolamento.

DELEGAR A CULPA A OUTRA PESSOA

Essa prática está dentro da chantagem emocional. O abusador vai sempre colocar a culpa de seus comportamentos abusivos na outra pessoa, seja “para o seu próprio bem”, “porque te amo de mais”, ou porque “você sabe que eu não gosto disso”. Mesmo quando o abusador se vitimiza, está colocando a culpa dele não sentir-se bem na vítima, como se a responsabilidade daquilo fosse dela.

USA EPISÓDIOS DE DESCONTROLE DA VÍTIMA PARA CULPÁ-LA

Chega um momento que a vítima não aguenta mais e tem algum episódio de descontrole emocional com acesso de raiva, xingamentos e até agressões físicas. Quando acontece isso o abusador se coloca como vítima e apela para a compaixão da outra.

FAZ PROMESSAS DE MUDANÇAS QUE NÃO SÃO CUMPRIDAS

Depois de cometer um ato abusivo é muito comum o abusador se mostrar arrependido, porém ainda assim justificando seu ato como sendo culpa da outra pessoa. Nestes momentos ele é extremamente carinhoso e romântico, faz mil promessas de mudanças e sinaliza que vão poder viver a vida de amor que eles tanto sonharam. Entretanto essas promessas nunca são mantidas, apenas há uma mudança temporária.

ISOLAMENTO FINANCEIRO

Outra forma de controlar a vítima é tornando ela dependente financeira dele. Uma mulher em um relacionamento abusivo nunca sabe exatamente quanto dinheiro o marido ganha, e se sabe não tem poder nenhum de decidir o que fazer com parte do dinheiro. É ele que controla o dinheiro, mesmo o dela. Eventualmente ele trás presentes para se passar por alguém que se preocupa com ela.

STALKEAR

Monitorar redes sociais, viagens pelo Uber, seguir pelo google, monitorar curtidas no facebook ou Instagran, mexer no celular sem permissão e olhar conversas no whatsapp, são comportamentos comuns em relacionamentos abusivos. Também acusar a companheira de estar traindo. Outro comportamento frequente é querer saber onde ela está, com quem está, o que está fazendo, que horas vai chegar em casa. Em casos mais graves o homem pode até seguir a mulher em algumas ocasiões.

EXIGIR RELAÇÃO SEXUAL

Se o sexo é forçado é estupro, mesmo que os dois estejam casados ou em um relacionamento sério. Essa exigência pode ser não repeitando a vontade da outra pessoa de não ter relação, ameaçando ou fazendo chantagem emocional.

VIOLÊNCIA FÍSICA

A violência física começa gradualmente, com um apertão, depois um empurrão, um tapa “sem querer” e pode culminar em espancamento ou assassinato. Elas sempre são seguidas de um período de “arrependimento”, pedidos de desculpa e promessas que não vai acontecer de novo. Porém acaba acontecendo.

IRRITAÇÃO CONSTANTE

O abusador parece estar constantemente irritado, essa é uma forma de controlar a outra pessoa para ela não fazer algo que lhe desagrade. A vítima sente que está pisando em ovos ao falar com o companheiro, tem medo de falar qualquer coisa que possa resultar em agressões ou desqualificações.

QUERER QUE MUDE UMA CARACTERÍSTICA

Críticas ao peso, cabelo, forma de falar, cor dos olhos, formato do corpo, para de frequentar lugares, ir para outra religião. As mudanças podem estar disfarçadas de preocupação porém tem o único objetivo de manter o controle sobre a pessoas, então ele pode indicar que gostaria que a pessoa fosse como ela nunca será, por exemplo mais alta.

ELOGIAR OUTRAS PESSOAS PARA CRITICAR A COMPANHEIRA

“você deveria agir como fulana de tal”, ou “a mulher de fulano não anda assim”, e ainda “você viu que linda a quela mulher que é magra? Você também ficaria mais linda se fosse daquele jeito”. Os elogios a outras pessoas trazem implícitas críticas à vítima, que acaba sentindo-se mal por poder atender os desejos do outro.

JUSTIFICA COMPORTAMENTOS ABUSIVOS COM O USO DE DROGAS

Pela intoxicação devido ao uso de drogas ela justifica seus atos, principalmente de violência física ou verbal, porém não toma nenhuma iniciativa de interromper o uso.

VIOLÊNCIA PATRIMONIAL

Consiste em tomar, estragar, esconder objetos, dinheiro, ou pertences da vítima para manter o controle sobre ela.

POR QUE AS PESSOAS CONTINUAM EM UM RELACIONAMENTO ABUSIVO

Os relacionamentos não começam abusivos em si, eles podem se tornar abusivos com o tempo.

Existem alguns perfis de homens agressores: 1) os que tem dificuldade ou incapacidade de controlar seus impulsos, que mudam rapidamente seguindo um padrão; 2) os que exigem obediência total à regras e que, caso sejam quebradas, sem emoção nenhuma, inflige castigo; 3) os que são rebeldes, hostis e com baixa autoestima; 4) agressivos e com tendências psicopáticas; 5) com grandes e inexplicáveis alterações no humor; 6) os muitos agradáveis porém incapazes de lidar com a rejeição, se tornam agressivos quando sente que a companheira o decepcionou; 7) excessivamente dependentes, deprimidos ou ansiosos; e 8) que apresenta algumas características mistas entre os outros sete perfis.

Ao começar o relacionamento com uma pessoa com algum destes perfil, a tendencia é que o agressor esconda essas características já que tem consciência que não são agradáveis. Ou muitas vezes a posterior vítima acha atraente alguma das características do agressor, como por exemplo ser protetor e decidido. Com o tempo episódios abusivos vão aparecendo, a princípio muito incipientes, seguidos de pedidos de desculpas, e promessas de que não irão se repetir. A vítima acaba aceitando as desculpas e, assim, se sujeitando a situações cada vez mais absurda. As agressões verbais podem chegar a ser físicas, o ciumes se torna excessivo e o controle sobre a vítima frente, as chantagens emocionais presentes o tempo inteiro.

Pode levar de meses a anos para o relacionamento se tornar abusivo. O que mantém a vítima no relacionamento é o aumento gradual das agressões. Se a primeira agressão fosse direto o espancamento, a vítima sairia do relacionamento muito rápido, entretanto as primeiras agressões costumam ser gritos, ou o abusador ficar irritado e emburrado, seguido por pedidos de desculpa e as promessas de mudanças mencionadas, ou ainda culpando a vítima pelo comportamento dele.

Aos poucos as agressões vão aumentando de intensidade e variedade, o que pode culminar até no assassinato da vítima. Contudo há relacionamentos que não chegam a ter violência física, nestes predomina a psicológica.

COMO SAIR DE UM RELACIONAMENTO ABUSIVO

É muito difícil a pessoa sair de um relacionamento abusivo, ela dificilmente consegue sem ajuda externa. O problema é que vítima pode adquirir um hábito de defender o abusador “ha, mas ela age assim porque não está se sentindo bem, está com muitos problemas”, “no fundo ele é uma boa pessoa”, “esse é o jeito dele, ele é assim mesmo”, “ele prometeu que vai mudar”, “ele estava muito estressado por isso disse aquelas coisas, depois se arrependeu”.

A defesa do agressor pela vitima é uma condição que ocorre para a pessoa manter a coerência de seus pensamentos e sentimentos. Os relacionamentos abusivos acabam se tornando muito intensos, os episódios de abuso são alternados com situações muito românticas e promessas maravilhosas. A alternância entre momentos bons e ruins faz com que a pessoa anseie pelos momentos bons e acabe justificando para si mesma e para os outros os momentos ruins. Ela pode ser até mesmo acabar assumindo a culpa pelos problemas no relacionamento. Desta forma se torna muito difícil sair deste tipo de relacionamento.

O primeiro passo para sair de um relacionamento abusivo é reconhecer que ele é abusivo. Enquanto você estiver defendendo seu(a) companheiro(a) você estará preso neste relacionamento.

Como o agressor acaba por conseguir isolar a vítima de outras pessoas e impedir ela que faça coisas que ela gostava, a vida dela gira em torno do agressor. O homem abusador passa a ser a única fonte de lazer e diversão da vítima a ponto dela acreditar que não pode se virar ou viver sem ela. Esses sentimentos levam ela a defender o abusador. Desta forma, após reconhecer que está em um relacionamento abusivo, o próximo passo e montar uma nova rede de apoio. Essa rede pode ser com amigos e familiares que cortou o contato, ou mesmo algum profissional da saúde ou assistência social.

Na sequência a vítima pode buscar um distanciamento emocional do abusador, mesmo que ainda não consiga terminar o relacionamento. Esse distanciamento se traduz em não se importar com as chantagem emocional feitas pelo abusador. E também ter consciência de que ele não vai mudar, afinal quantas promessas de mudanças foram feitas? Elas duram no máximo três meses.

Conseguindo reconhecer o relacionamento como abusivo, criar uma rede de apoio, se distanciar emocionalmente do agressor, a vítima está preparada para sair de casa e denunciar as agressões físicas.

CONSEQUÊNCIAS DO RELACIONAMENTO ABUSIVO

Permanecer em um relacionamento abusivo destrói a saúde emocional da vítima. Sintomas como ansiedade, dificuldade para dormir, perda ou aumento intensos do apetite, depressão, ataques de pânico, perda da energia e vontade de fazer as coisas, irritabilidade, comportamentos autodestrutivos como uso de drogas ou tentativas de suicídio são frequentes.

O isolamento social e profissional é outra consequência comum nos relacionamentos abusivos. Isso faz com que a pessoa perca meios importantes de proteção social e acabe se tornando cada vez mais dependente do abusador. Se algum dia esse relacionamento vir a acabar a vítima estará totalmente despreparada e sem objetivos para continuar sua vida, invariavelmente irá apresentar sintomas depressivos ou ansiosos.

Mesmo que você não consiga identificar nenhum fator no seu relacionamento que caracterize abuso, se este relacionamento está produzindo sintomas como: ansiedade, dificuldade para dormir, perda ou aumento intensos do apetite, depressão, ataques de pânico, perda da energia e vontade de fazer as coisas, irritabilidade, comportamentos autodestrutivos como uso de drogas ou tentativas de suicídio; então é bom reavaliar se vale a pena continuar com esta pessoa.

Caso se faça necessário um psicólogo pode te ajudar a identificar e a lidar com um relacionamento abusivo.

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