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Ver pornografia causa disfunção erétil? Essa é uma pergunta que muitos punheteiros homens me fazem. Há os defensores árduos da pornografia como forma de apimentar o relacionamento. Por outro lado há os acusadores apologéticos que pregam que a pornografia acaba com o relacionamento além de trazer outros males. Continue a leitura para saber o desfecho desta luta entre o bem e o mal o que realmente acontece.

Por incrível que pareça o pornô não é um fenômeno atual, desde épocas imemoriáveis o homem faz uso deste tipo de conteúdo.  Há 2.500 anos os gregos se divertiam com esculturas de nudez espalhadas por Atenas, as casas eram decoradas com vasos com gravuras de cenas eróticas, e peças fálicas eram adoradas ao som de Funk hinos recheados de palavrões. Gravuras erótica remotam ao tempo das cavernas. Histórias foram contadas, livros eróticos escritos, pessoas se deliciaram com o proibido.

A popularização da ponografia se deu com a invenção do cinema e das fitas VHS que trouxe a possibilidade de ver as cenas antes presentes apenas na imaginação das pessoas.

A internet banda larga aumentou ainda mais o acesso a este tipo de conteúdo. Não é mais necessário ir à uma locadora, escolher um filme de gosto duvidoso e ter que fazer uma poker face encarar o atendente.

Além de ampliar o acesso à fotos e filmes pornográficos, a internet tornou a experiência de consumo customizável. Agora, de dentro do seu quarto, nas altas horas da madrugada, ninguém vai ficar sabendo que você está assistindo um vídeo de duas mulheres se pegando ou pesquisando fotos de criancinhas nuas na deep web.

Antes os desejos mais secretos e proibidos, de difícil realização, eram satisfeitos através da imaginação ou de produções “culturais” como as esculturas, vasos, músicas e contos mencionados. Hoje, qualquer pessoa com o mínimo de conhecimento consegue acessar materiais sobre pornografia de vingança, voyeurismo, sexo anal, ou coisas mais pesadas como sadomasoquismo, estupros, torturas, mortes, escatofilia, zoofilia, pedofilia e um monte de outras filias. E este tipo de coisa faz tanto sucesso que a indústria de entretenimento adulto gira em torno de 100 bilhões de dólares por ano no mundo. Tanta liberdade e acessibilidade a materiais ponográficos não ficaria incólume

O problema com a pornografia

Podemos considerar a pornografia de hoje um estímulo supernormal, conceito desenvolvido pelo etologista Nikolaas Tinbergen. Ele fez um experimento para “enganar” alguns animais, e acabou descobrindo que esses animais reagiam de forma inesperada frente alguns estímulos. Aves fêmeas preferiam chocar um ovo de gesso maior do que os naturais, do que seus próprios ovos. Joaninhas machos ignoram as parceiras por tentativas fúteis de copular com o fundo marrom de uma garrafa de cerveja. Para um besouro, uma garrafa de cerveja no chão parece a maior, mais bonita e mais sexy fêmea que ele já viu. Qual a pira com as garrafas de cerveja?

Os estímulos supernormais são versões exageradas ou aprimoradas de estímulos que instintivamente os animais (incluindo os homo sapiens sapiens) percebem como muito valiosos ou importantes. Por exemplo, o açúcar refinado é uma versão supernormal do sabor doce das frutas, os carboidratos refinados também são versões supernormais dos integrais, uma foto de uma mulher nua, retocada no photoshop, com algumas partes aumentadas, é um estímulo supernormal da mulher real.

Um estímulo em si não pode ser caracterizado como supernormal, o que faz com que adquira esse título é capacidade desencadear uma descarga de dopamina no cérebro mais forte que sua contraparte natural. A dopamina é uma substância que faz parte do mecanismo de recompensa do cérebro, ela tem uma função muito específica: motivar a pessoa em busca de um prazer. É a dopamina que causa o desejo sexual, a vontade de comer, o interesse em interações sociais. A dopamina em si não causa o prazer, isto é papel da serotonina, ela causa a necessidade de busca pelo prazer, a motivação. Em outras palavras, quanto mais dopamina, mais você desejará algo, sem ela você simplesmente ignora o estímulo.

A pornografia pode ser um estímulo supernormal de duas formas, a primeira é pelos atores (masculinos e femininos) altamente produzidos e retocados para se tornarem muito mais atraentes e perfeitos. A segunda é devido a quantidade e diversidade de material fapável porno disponível. Sobre essa segunda forma faço um pouco mais abaixo.

Mais dopamina, por favor

Em uma pesquisa, cientistas safadinhos, trancaram um rato macho com uma rata no cio. Qual foi o resultado disso? Sexo, um atrás do outro. Porém, progressivamente, o interesse do rato macho naquela fêmea foi diminuindo. Se continuar apenas os dois na gaiola, o sexo se tornaria bem mais raro (qualquer semelhança com seu casamento é mera coincidência… ou não!).

E se colocássemos outra rata no cio na gaiola junto? Opa, ai o desejo do rato macho ressurge das cinzas e ele passa a copular com a nova parceira da emas forma que quando foi trancado com a primeira. Mas novamente o interesse vai diminuindo. Quando observaram isto, os cientistas safadinhos resolveram colocar parceiras novas frequentemente para o rato macho. Quando esse processo foi repetido várias vezes o rato chegou a morrer de felicidade de exaustão de tanto copular.

A perda do interesse na parceira antiga se chama habituação, ou seja, um estímulo apresentado várias vezes perde o valor de desencadear uma resposta do organismo. Em outras palavras, ele enjoa daquela fêmea. Porém quando novos estímulos são apresentados repetidamente, não tem como enjoar. O processo de apresentação recorrente de novos estímulos mantém a dopamina sempre alta, e o ratinho vai querer sexo o tempo todo já que cada hora é uma ratinha (estímulo) diferente

Com a pornografia de alta velocidade acontece exatamente isso que aconteceu com o rato, ter a dopamina alta o tempo todo e não morrer… acho. Quando o homem está vendo porno, tem sempre um estímulo novo há um click de distância.

A pornografia é um atiçador do circuito de recompensa, qualquer um pode ficar por horas experimentando estímulos diferentes em um click, pode ser uma posição sexual, um ator ou atriz (ou amador, vai saber) que ainda não viu, uma cena incomum, um ato esquisito, um fetiche, etc. Não importa quais os estímulos, o importante é que a alta disponibilidade e a facilidade de acessar leva a dopamina ficar em um estado elevadíssimo por um tempo muito grande. Pra você ter uma ideia da disponibilidade de pornô, um garoto de 13 anos hoje viu muito mais boceta mulheres peladas que seu avô na vida toda.

Você deve estar se perguntando, tá, e qual o problema do estímulo supernormal e da descarga excessiva de dopamina? Falo exatamente sobre isso no próximo tópico.

O vício na pornografia

O vício, ou a dependência química, não acontece só em drogas. Todos os estímulos que podem causar uma descarga exagerada de dopamina são potencialmente viciantes. Estamos falando de drogas, de sexo, de comidas, de jogos, de jogos on-line, e de um monte de outras coisas, inclusive da pornografia.

Porém, também é sabido que nem todas as pessoas que experimentam drogas se tornam dependentes, apenas 10 a 15% da população se torna dependente de drogas. Então por que a pornografia seria um problema tão grande? A resposta é que as drogas não são estímulos naturais, já o sexo, ou a visão do sexo, é naturalmente um estímulo que estamos programados para buscar. Inclusive comida e sexo acabam sendo nossa primeira prioridade, isso porque está relacionada a manutenção da espécie, em outras palavras, somos programados geneticamente para sobreviver e se reproduzir.

Todos os vícios afetam as mesmas partes do cérebro: os mecanismos do circuito de recompensa do qual a produção de dopamina faz parte. Nosso cérebro é particularmente sensível a dopamina; como já falei, é ela que nos motiva para fazer algo. Porém a sobrecarga recorrente da substância acaba fritando os receptores de dopamina no cérebro, ou seja, aquela quantidade de dopamina que você está acostumando já não é suficiente para causar a sensação de tensão e tesão quando vê um vídeo porno. Por consequência, você vai querer cada vez mais porno. Sabe quando você abre 30 abas do navegador, cada uma em um vídeo, tentando achar o vídeo perfeito para finalizar? É disso que estou falando.

Observe esta sequência: busca do estímulo > masturbação/orgasmo > saciação do prazer > busca por um estímulo novo > masturbação/orgasmo > saciação do prazer > busca de outro estímulo novo >masturbação/orgasmo > saciação do prazer > busca de…

A sequência acima pode ser repetida indefinidamente. Lembra do ratinho que copulou compulsivamente com cada nova fêmea no cio que entrava na gaiola, ao mesmo tempo que perdia progressivamente o interesse nas antigas? É você que tem aquela “nova pasta” escondida escondida no seu HD, com 10Gb de vídeos pornôs, e continua procurando novos vídeos todos os dias.

Nosso cérebro é particularmente sensível à emoções intensas, e a dopamina está diretamente ligada à intensidade da emoção. Tanto que nos lembramos melhor de coisas que gostamos bastante ou que nos fez muito mal, e temos dificuldade de lembrar de coisas corriqueiras de chatas (leia-se: aulas). Esta capacidade é devido a configuração do cérebro que tem por objetivo nos afastar da dor e nos levar ao prazer. Quanto mais forte a emoção, seja positiva ou negativa, mais forte vai ser a conexão neural ligada aquela emoção. Por isso que não existe cura para a dependência química, só controle, já que as emoções ligadas ao vício são tão fortes que nunca se rompem.

Pra você entender, quanto mais você pratica uma habilidade, mais fácil é de você realizar ela. Isso ocorre porque, devido a repetição, você criou uma rede de conexões entre neurônios para aquela habilidade. Com o pornô acontece o mesmo, o uso frequente fortalece uma conexão neural. As consequência disso é que você terá pensamentos relacionados à pornografia muitas vezes durante o dia, mesmo que não esteja realmente afim ou não possa ver naquele momento. E só o pensamento ou lembrança do porno já ativa o sistema de recompensa, aumentando o nível de dopamina, que te dá motivação para buscar os tão desejados vídeos.

O interessante é que o consumo de pornografia não causa, em si, a dependência por sexo, e sim por assistir pornografia mesmo. Na verdade ocorre o contrário, você vai ficar muito mais interessado no estímulo supernormal (pornografia) pela descarda intensa de dopamina, do que no natural (mulher ou homem de verdade). Inclusive muitos homens desenvolvem uma disfunção erétil uma vez que quando estão com uma mulher real não há uma descarga de dopamina tão grande causada por estímulos novos a um click de distância

Agora você deve estar apavorado se perguntando: eu sou um viciado em pornô? Veja abaixo algumas sintomas que caracterizam os vícios, inclusive na pornografia.

Consumo compulsivo. Se você fica vendo porno por mais tempo que planejou e mais de duas vezes por semana, você pode ter um vício. Também entra neste critério abrir várias abas até achar o filme perfeito para se masturbar e gozar; acabar de ter um orgasmo assistindo um vídeo, e já voltar a procurar outro vídeo para se masturbar novamente; ampliar progressivamente o tempo que gasta consumindo o pornô.

Deixar de fazer algo pra ver pornô. Se o consumo de pornô te faz deixar de realizar outras atividades como estudar, sair com os amigos, sair com alguma mulher, interagir com a família, trabalhar, ou qualquer outra coisa, você tem um problema.

Manter o consumo mesmo diante das consequências. Você percebe que aquilo está te tomando muito tempo e energia (literalmente), mas não consegue parar.

Apresentar tolerância aos conteúdos. Vídeos que antes eram muito excitantes agora não excitem mais, você precisa cada vez mais de novos estímulos.

Consumir pornô para mudar a foma com que se sente. Se você se sente frustrado, irritado, ou mal de alguma forma, e vai bater uma assistir vídeos pornos para se sentir melhor, é um sinal muito importante de dependência psicológica.

Se você apresenta qualquer um destes sintomas acima, sinto muito meu amigo, mas você tem fortes indícios de estar dependente de pornografia.

Impactos da pornografia

Acessar material pornográfico pode causar vários impactos psicológicos, entre eles podemos citar: vício, tolerância a estimulação sexual, disfunção erétil, ejaculação precoce, problemas nos relacionamentos, isolamento social, entre outros. Vou detalhar cada um deles para vocês conhecerem melhor.

Vício: já falei bastante sobre isso, não há necessidade de detalhar mais. Porém, se quiser saber mais pode entrar em contato comigo.

Padrão de normalidade sexual equivocado e ansiedade de desempenho. Assistir muito pornô vai fazer com que você tenha aquelas cenas como padrão de sexo. Mesmo que racionalmente você possa dizer que sabe que é tudo inventado, o cérebro não vai conseguir distinguir a realidade do filme, e vai ter a pornografia como algo conhecido, algo familiar, algo normal. Ou seja, aquilo vai se tornar o normal pra você. Você vai achar que o comum é ter um pinto pênis de 22cm, da mulher gemer desesperada na hora do sexo, que você tem que ficar uma hora metendo penetrando e mantendo uma poker face, e mais um monte de coisas ridículas. Como você, com certeza, não vai se encaixar neste padrão, pode começar a ter ansiedade de desempenho.

Tolerância e escalonamento. Como já deixei bem claro, a pornografia de alta velocidade faz com que a pessoa tenha novos vídeos excitantes a um click, e os vídeos já vistos perdem o poder de desencadear a tão esperada descarga de dopamina. Isso faz com que o cara vai a busca de novos estímulos o tempo todo. Chega uma hora que o comum já não é mais suficiente para excitar, e ele pode passar para situações mais chocantes que despertam fortes emoções e, portanto, mais dopamina. A isso se dá o nome de escalonamento.

O escalonamento na pornografia pode levar o homem (ou a mulher) a procurar e consumir vídeos de diferentes gêneros. Alguns homens, heteros, podem ver vídeos de gênero oposto à sua orientação sexual, outros podem ir para material fetichista como pornografia infantil, sadomasoquismo, mulheres extremamento obesas, bestialismo, e por ai vai. Duvida? Dê uma olhada nos depoimentos neste site (em inglês).

Diminuição na libido. Como a dopamina é o principal neurotransmissor envolvido no desejo de buscar o sexo, o vício na pornografia leva poder causar habituação, ou seja, os estímulos naturais não são potentes suficientes para causar interesse sexual. Isso faz com que você se desinteresse totalmente potenciais parceiras(os).

Disfunção erétil. Você já viu tanto material porno extremo (como falei sobre o escalonamento), que uma mulher real, de carne e osso e com suas imperfeições, não lhe causa quase nada de desejo. Você pode até tentar, mas vai ver que a ereção vai ser muito menos rígida, isso se você tiver ereção.

Ejaculação Precoce. A EJP pode acontecer por dois motivos: masturbação de forma incorreta e/ou compulsiva e efeitos no cérebro. No caso da masturbação de forma incorreta, o homem condiciona o corpo para ficar sempre o mais próximo o possível do orgasmo, e acaba se acostumando a essa sensação. No sexo real vai fazer o mesmo, porém o homem não tem tanto controle sobre os estímulos como na internet, o que acaba desencadeando o orgasmo. Por outro lado a masturbação com com movimentos rápidos e intensos pode condicionar o corpo a chegar ao orgasmo rapidamente. Já os efeitos no cérebro acontecem por condicionamento da dopamina estar sempre alta, com a mulher pode acontecer isso também, o que faz com que o desejo esteja nas alturas e o cara não consiga controlar a subida da excitação.

Efeitos no relacionamento. Eu poderia citar inúmeros efeitos no relacionamento, mas vou falar apenas sobre os mais importantes. O primeiro é a mulher achar que não é boa o suficiente pra ele, por isso ele vê pornografia e se masturba. A mulher também pode achar que ele não tem mais interesse nela e prefere outras mulheres. O homem pode perder o desejo na esposa por tudo o que já foi dito até aqui. O cara também pode deixar de fazer coisas (como dormir) e ficar na internet, o que vai causar brigas; alem do desenvolvimento das disfunções sexuais já mencionadas.

Diminuição da massa cinzenta no cérebro. Isso mesmo o consumo de pornô ferra o seu cérebro. Duvida? Leia a matéria aqui

Ódio às mulheres e sexismo. Isso mesmo, algumas pesquisas indicam que os homens que consomem pornografia são mais sexistas, apoiam a violência contra às mulheres, são menos empáticos às mulheres, inclusive às vítimas de estupro, objetificam as mulheres, tem maior tendencia para traição e abuso sexual, tem maior tendência em acreditar mitos sobre o estupro (por exemplo, usou aquela roupa curta porque estava querendo). Tem ainda mais coisas, mas acho que já deu para compreender o efeito da ponografia nos homens em relação às mulheres.

Transtornos emocionais. O vício em pornografia também está associado a maior incidência de depressão, ansiedade, fobia social, baixa autoestima, disfunções sexuais, inadequações sexuais, entre outros problemas emocionais.

Como parar de ver pornografia

Provavelmente já te convencia que a pornografia pode, realmente, ser um problema. E você já deve ter tomado a decisão de parar de consumir este tipo de material. Agora a pergunta é, como faço para parar?

O ato de para de ver porno se chama reinicialização. É um processo que você vai interromper totalmente o uso da pornografia e vai ficar um tempo se praticar a masturbação.

Pode parecer difícil, talvez você precise de ajuda. Pode ser tanto em grupos de auto-ajuda (não sei se tem no Brasil) como de um profissional de psicologia bem preparado para lidar com isso. Já tive alguns pacientes com ejaculação precoce que, uma das demandas, foi parar de ver o pornô. Tive relato destes pacientes que ao parar com o pornô a ansiedade e a ejaculação precoce melhorou muito, bem como teve aumento na autoestima.

Você pode tentar parar sozinho, porém se não conseguir, não exite em procurar ajuda. Você tem toda a garantia do sigilo das informações e, com certeza, poderei te ajudar nesta dificuldade.

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