Este artigo foi publicado um dia depois do dia dos pais de propósito. Escolhi esta data porque é um dia que os filhos estão, mais uma vez, presenteando os pais, almoçando com eles, dizendo que os amam. E os pais, felizes da vida, recebe o carinho dos filhos. Porém, como diz o ditado, quem vê cara não vê coração, e tenho percebido que há muitas mágoas e ressentimentos com os pais devido ao seu estilo de educar os filhos, são os pais abusivos e precisamos falar sobre isso.

Continue a leitura que você vai encontrar os seguintes conteúdos:

Estilos parentais – como eu educo o meu filho;

O que é um pai abusivo;

Quais as consequências para os filhos de conviverem com pais abusivos;

Como deixar de ser um pai abusivo.

Estilos parentais – como eu educo meu filho

Na psicologia a forma que um pai ou mãe educa o seu filho é chamado de estilo parental. Pensando em todas as práticas educativas presentes foi possível aglutinar os estilos parentais em quatro categorias: pais negligentes, pais permissivos, pais autoritários, e pais participativos.

Pais negligentes: são os famosos pais ausentes que não dão atenção aos filhos. Neste estilo parental os pais deixam a criança fazer o que quiser, não atendem a outras demandas dos filhos que não as necessidades básicas, e olha lá. Estes pais não são afetivos, exigentes ou compreensivos com os filhos, tendem a manter uma distância emocional deles. Os pais negligentes estão centrados em si mesmo e, interagem com os filhos apenas por conveniência, porém tem pouco interesse neles

Pais permissivos: enquanto os pais negligentes não se interessam pelos filhos, os pais permissivos são centrados no filho. São afetuosos, compreensivos e tolerantes, evitam a punição e, sempre que possível, o exercício da autoridade. Neste estilo os pais não conseguem estabelecer limites aos filhos, permitem comportamentos inadequados e que causam problemas. Não exigem comportamento adequado como realização de tarefas e boa educação, permitem que os filhos tomem suas próprias decisões e tenham poucas regras. Estes pais não utilizam de sua autoridade pois tem receio da rejeição, de não serem amados pelos filhos.

Pais autoritários: excessivamente exigentes, pouco tolerantes e compreensivos. Utilizam em excesso da punição e poucas vezes do incentivo positivo. Querem que o filho obedeça incondicionalmente suas ordens e tenham comportamentos rígidos. São os pais abusivos de que trata este artigo. Vou escrever mais sobre isso na sequência.

Pais participativos: são muito tolerantes com os filhos, porém também são exigentes. Quase não utilizam da punição física ou verbal. Permitem que o filho faça suas escolhas e tenha sua autonomia, porém não exitam em consequenciar o descumprimento de regras e valores da família. Negociações são possíveis e regras e limites são bem definidos, deixando bem claro até onde o filho pode ir. É o estilo ideal para o melhor desenvolvimento psicológico dos filhos.

O que é um pai abusivo

Os outros estilos parentais podem também ser abusivo, mas o que vou tratar como pai abusivo neste artigo é estilo autoritário.

Atualmente as pessoas sentem que há uma carência de autoridade sobre os filhos, sejam crianças ou adolescentes. Este sentimento é estimulado por mudanças que a tecnologia e o mercado de trabalho causou no desenvolvimento emocional do jovens.

Para ingressar no mercado de trabalho hoje é necessário ter capacitação profissionais, que inclui vários anos de estudo, seja na escola, na faculdade ou em cursos. Isso posterga cada vez mais que o adolescente assuma responsabilidades que, nos tempos passado eram assumidas muito mais cedo. Isso não é bom nem ruim em si, mas o problema é: o que este adolescente, que tem condições físicas de trabalhar, vai ficar fazendo em casa até seus 19 ou 20 anos?

São os próprios adolescentes que respondem essa pergunta: jogando on-line, saindo pra festas, usando drogas, vendo pornografia o dia inteiro, e várias outras coisas. O sentimento da carência de uma educação mais rígida e firmada em valores morais e cristãos decorre da observação destes comportamentos dos adolescentes.

Contudo não é por achar que os filhos necessitam de maior autoridade que o pai se torna abusivo, isso acontece por outros motivos. Antes de entrar nos motivos quero definir com você o que chamo de pai abusivo.

Um pai pode ser considerado abusivo quando apresenta alguns destes comportamentos: punição física em excesso e com descontrole; punição verbal com xingamentos e humilhação, intolerância extrema ao comportamento inadequado (ou não) do filho, falta de empatia, machismo (sim, a maioria dos pais abusivos são machistas!), sentimentos de raiva e ódio do filho desconectado de seu comportamento, abuso ou dependência de álcool, votou no Bolsonaro.

Agora descrevo alguns comportamentos clássicos de pais abusivos para ficar mais claro. Chamam o filho de vagabundo pois acha que ele não faz nada o dia inteiro. Não reconhecem o esforço do filho quando ele faz algo bom, por exemplo, tira notas boas no colégio “não fez mais que a obrigação”. Brigam e xingam muito o filho por coisas ínfimas como um tênis fora do lugar ou estar demorando para tomar banho. Chegam em casa sob efeito de álcool e são agressivo fisicamente ou verbalmente com o filho e com a mulher, ou, se não, são aqueles que querem conversar sobre assuntos nada a ver com o filho sem perceber que ele está incomodado com a situação.

Por sinal, outra coisa que faz um pai abusivo é não perceber sentimentos e necessidades reais do filho. Quando este tipo de pai faz algo pelo filho é como forma de querer demostrar ou sentir que é um bom pai, é pensando em si mesmo e não no que o filho realmente precisa. Incentiva o filho a “ser macho” e ter comportamentos misóginos ou devasso com as mulheres. Incentiva o filho a ver pornografia. Desconta o estresse de outras coisas no filho.

Geralmente um pai abusivo possui um descontrole emocional muito importante, e tem a tendência de externalizar o problema (colocar a culpa no outro). A principal característica de um pai abusivo é o uso de estratégias disciplinares coercitivas através do uso da força e poder como progenitor. A coerção pode incluir punição física, ameaças e privação de privilégios.

O que leva um pai ser abusivo não é sua visão política nem realmente querer o melhor para o filho. Pais abusivos possuem algumas características: dificuldade de regulação emocional, também são filhos de pais abusivos ou negligentes, egoismo e falta de empatia, bem como uma rigidez de pensamento que o impede de ver as situações de uma forma mais ampa (são extremamente teimosos). Outro ponto importante é que eles realmente acreditam que são bons pais por brigarem e utilizarem de punições físicas e verbais com os filhos.

Quais as consequências dos filhos conviverem com pais abusivos

Eu escrevi este artigo pois tenho atendido muitos adolescentes que estão em terapia por conta de terem sido criados por um pai abusivo. As situações descritas aqui não se referem a um paciente em específico e sim a um grupo de pacientes que atendo, todavia muitos vão se identificar com o que foi escrito pois é o que vivem ou viveram em casa.

Nós, seres humanos, temos algumas necessidades emocionais básicas a serem supridas por nossos cuidadores. Quando estas necessidades são supridas a criança se desenvolve e se torna um adulto saudável emocionalmente. Porém, quando, recorrentemente, alguma ou algumas destas não são supridas, vai impactar no desenvolvimento emocional da criança e vai trazer sofrimentos intensos quando adulto ou adolescente.

As necessidades emocionais são: de conexão e aceitação – sentir que é amado, aceito e importante para alguém; de autonomia e competência – que os pais ensinem a criança a ir atras de seus objetivos e interesse ao mesmo tempo que oferece um suporte seguro quando necessário; limites realistas – a frustração estará presente na vida de todo mundo, o limite é importante para ajudar a criança a aprender a lidar com esta, porém os limites não podem ser desmasiado excessivos ou flexíveis; espontaneidade e lazer – momentos de descontração, de liberdade para interagir entre os pares, de felicidade e diversão; e, por ultimo, liberdade de expressão das emoções validadas – direito e liberdade de expressar suas emoções e ideias e ser validado por isso.

Um pai abusivo, invariavelmente, vai privar o filho de alguma destas necessidades emocionais, o que vai causar muitos problemas no futuro para essa criança ou adolescente.

O pai que é muito rígido com regras interfere na necessidade de limites realistas. Os limites excessivos podem tanto fazer com que a criança se torne alguém obsessivo com regras, tenha uma rigidez na forma de pensar, sofra por não conseguir ser perfeito e não conseguir fazer tudo o que se propõe. Por outro lado também pode criar um filho revoltado que desconsidera todas as regras e acha que elas não são pra ele. Também é muito comum filhos de pais rígidos com regras terem dificuldades com figuras de autoridade, seja em não aceitar as regras ou inibir o comportamento para não desagradar aquela pessoa.

Caso não seja incentivada a autonomia, caso seja cobrado em excesso que o desempenho seja perfeito e não seja valorizado os pequenos ganhos a medida que a criança vai aprendendo, um pai pode tornar o filho alguém inseguro. Se só o perfeito é aceito, esse filho nunca vai se contentar com o bom, vai querer sempre ser o melhor para ser aceito pelo pai. Isso lhe trás grande sofrimento, ainda mais quando está apreendendo a fazer uma tarefa, se não sair perfeito logo de cara a tendencia é desmotivar e não fazer. Por outro lado, também pode fazer com que o filho faça só o que lhe é mandado, sinta que não consegue fazer nada se não tiver alguém mandando ele fazer, é extremamente inseguro com possíveis erros.

Uma criança que tem inibida sua espontaneidade e seja impedida de brincar é uma criança que terá uma dificuldade extrema na socialização quando adulta, vai ter um déficit de habilidades sociais muito importante. Será uma pessoa triste e com dificuldade de se envolver em relacionamentos sociais e morosos.

Já a impossibilidade de expressar as emoções podem causar duas coisas: sentimento intenso de raiva e dificuldade extrema de se conectar com outras pessoas. A raiva geralmente aparece pois é a emoção que aprende a demostrar com o pai abusivo. Já a dificuldade de conexão com outras pessoas decore do pai, que é uma das figuras mais importante, ser abusivo, portanto, não ser alguém com que pode contar, como irá confiar em outro?

Eu resumi bastante, tem várias outras consequências ser criado por um pai abusivo, porém estas são as principais que tem levado muitos adolescentes e adultos à terapia.

Como deixar de ser um pai abusivo

O primeiro passo é entender que você está fazendo algo que pode prejudicar o seu filho. Provavelmente não faça de propósito, mas, como diz o ditado, de boa intenção o inferno está cheio.

Admitido o problema você precisa procurar um terapeuta para ajudar você a mudar os comportamentos. Infelizmente não é possível modificar estes comportamentos sem ajuda profissional já que são inconscientes e estão arraigados na personalidade da pessoa. Você pode até conseguir por alguns dias, mas logo vai se irritar e voltar a ser agressivo.

Outra coisa que pode fazer um pai deixar de ser abusivo é quando se converte em alguma religião, porém nem todos os convertidos realmente deixam de ser pais abusivos.

Se você é filho de pai abusivo, talvez seja hora de procurar um psicólogo para poder trabalhar estes traumas causados por esta relação inadequada. Ou se você é um pai abusivo, é o momento ideal de tentar mudar esse comportamento antes que ferre com a saúde emocional de seu filho para o resto da vida.

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