O começo do ano é o período em que fazemos o planejamento de como queremos viver o restantes dos meses. Planejamos mudar nossa alimentação, conseguir um emprego novo, dar mais atenção aos filhos, adquirir um carro ou um imóvel, fazer exercícios e um monte de outras coisas. Mas esquecemos de uma coisa fundamental, que sem ela torna muito mais difícil conseguir as outras coisas que desejamos: a saúde mental.

É muito comum uma pessoa falar para um colega de trabalho “cara, comecei a fazer academia ontem, hoje eu estou todo quebrado”, ao que o colega responde “que tesão piá, eu quero começar a fazer também”. Porém ninguém fala “velho, comecei a fazer terapia ontem, pensa num negócio bacana”, e se falar a reação do colega vai ser de espanto e de dar algum tipo de conselho.

Ainda temos muito pré-conceito em cuidar da nossa saúde mental, como se por alguém ter que fazer isso fosse mais fraco ou não tivesse força de vontade. Haja vista (nunca achei que usaria essa expressão) os casos mais graves como depressão que muitas vezes são tratados como preguiça, vagabundagem e falta de força de vontade.

O que é saúde mental

Definir saúde o que é saúde mental é uma tarefa complexa. Para começar podemos dizer que saúde mental é correlata a ausência de um transtorno mental, como depressão, pânico, TOC, etc; mas vai muito além disso. A saúde mental está relacionada a uma sensação de bem estar consigo mesmo, com o mundo em que vive e com os seus relacionamentos.

Para ficar mais fácil de compreender o que é saúde mental vou traduzir esta expressão para felicidade. Cuidar de sua saúde mental é cuidar de sua felicidade.

Temos uma ideia de felicidade tirada do clássico comercial de margarina: uma família perfeita, sem brigas, sem desentendimentos, saudável, todo mundo lindo e satisfeito. Felicidade não é a ausência de problemas, assim como saúde mental não é a ausência de transtornos mentais.

Outra associação com felicidade que fazemos é a aquisição de bens, esta incutida pela sociedade de consumo. Somos bombardeados com promessas de felicidade ao comprar um carro melhor, um sapato novo, uma roupa da moda, um relógio caro. O pior é que quando conquistamos tudo isso, não nos sentimentos feliz, e achamos que precisamos de ainda mais coisas. É aí que muita gente rica e famosa entra nas drogas.

Cuidar da saúde mental é cuidar de sua felicidade.

Também não podemos confundir felicidade com alegria. Alegria é algo momentâneo, é um churrasco com os amigos, é o time do coração ganhar, é achar cinquenta reais na rua. Já felicidade é um conceito mais amplo, envolve sua satisfação com a vida, com seus relacionamentos, com seu emprego, com sua religião, com o país em que mora, com sua vida sexual. Envolve a confiança em agir para resolver problemas e alterar a realidade, está relacionada a amar a si mesmo e ser capaz de amar o outro. Ao conjunto de tudo isso damos o nome de felicidade

O que nos impede de ter saúde mental

Posso citar quatro coisas principais que nos impedem de alcançar a felicidade: a incapacidade de processar nossas emoções, principalmente as negativas (regulação emocional), a dificuldade de controlarmos o nosso próprio comportamento, procurarmos a felicidade em coisas que não nos dão sentido de vida, e um ambiente desfavorável.

Nós humanos chegamos a um ponto que quase nenhum desafio material se impõe a nós: dominamos os mares, ascendemos aos céus, colocamos robôs em outros planetas e conhecemos cada vez mais sobre o espaço sideral. Porém bilhões de pessoas ainda vivem sem reconhecer e processar de forma adequada o medo, a inveja, o ciúmes, o luto, a solidão, a angústia, a saudades ou a raiva. Bilhões de pessoas ainda existem e sobrevivem sem saber o sentido e motivos subjetivos pelos quais vivem. Somos especialistas em Bluetooth, wi-fi, carros elétricos, Facebook, celulares ultramodernos, mas conhecemos tão pouco sobre a importância, validade, pertinência e utilidade do autocontrole, do autoconhecimento e da autorrealização.

Algumas pessoas procuram a felicidade nas drogas, outras na comida, outras em um relacionamento, em um carro, em uma casa, nos filhos, na religião, no amor, e por ai vai. Algumas destas coisas podem, de fato, nos tornar mais felizes, mas sem uma capacidade emocional para processar adequadamente as emoções, a felicidade se torna apenas uma alegria.

Vou te dar alguns exemplos para ficar muito fácil de você entender como a falta de regulação emocional pode acabar com a felicidade. No primeiro a pessoa ama muito os filhos, porém quando eles aprontam alguma ela espanca a criança, depois se arrepende e compra coisas para compensar o descontrole. Outra pessoa começou a namorar com o amor da vida dela, mas começa ter ciumes dos amigos e a impede de interagir com eles, depois não quer que use maquiagem, depois reclama da roupa, chega em um momento que o amor da vida dele está em carcere privado. Por ultimo o cara acha o emprego dos sonhos, ganha bem, tem um bom plano de saúde, possibilidade de crescimento na empresa, PLR, viaja por conta da empresa, porém não sabe lidar com a pressão por resultados e acaba desenvolvendo um quadro de ansiedade. Agora ficou fácil de ver como o déficit de regulação emocional pode minar a felicidade.

A segunda coisa que impede nossa felicidade é a incapacidade de controlar nosso próprio comportamento, que também está muito ligada a regulação emocional. Uma pessoa que não sabe a hora de parar e o momento de persistir, não vai alcançar a felicidade. Todos encontram dificuldades na vida, seja de acordar cedo, ter que enfrentar o ônibus lotado, chegar em casa exausto depois do trabalho e ainda ter um monte de coisas pra fazer. Se a pessoa não possui a capacidade de ignorar a Netflix que está lá chamando para assistir o ultimo episódio daquela série maravilhosa e ir estudar ou fazer academia, ela nunca vai alcançar seus objetivos. Os japoneses não são em si mais inteligentes do que os brasileiros, mas a cultura deles valoriza muito o esforço e a persistência, por isso eles acabam conquistando mais coisas que nós.

Mas Luiz, você nao falou que bens materiais não trazem felicidade?

É verdade, mas um mínimo de bens são necessários para podermos alcançar coisas que realmente nos deixarão felizes. Primeiro temos que ter nossas necessidades básicas atendidas, depois necessidade de segurança, depois de convivência e pertencimento social, de reconhecimento e, por fim de realizações pessoais. É a famosa piramide de Maslow. Você não precisa escalar toda a piramide para ser feliz, com as necessidades fisiológicas, de segurança e de convívio social já é possível alcançar saúde mental. E para adquirirmos isso precisamos trabalhar, estudar, dizer não as drogas e ao álcool, protelar o prazer e suportar o desconforto, em suma, controlar o próprio comportamento.

O terceiro problema que impede nossa felicidade é o mais óbvio, procurar ela onda não é possível encontrar. Procurar a felicidade em um relógio, em um carro, em um iate de luxo, em uma coca-cola (como nos comerciais de natal), ou em algum outro bem, dificilmente vai ser possível encontrar. Esses bens (exceto a coca) podem te trazer momentos de alegria e conforto no dia a dia, contudo vivemos em uma sociedade que é estimulada para o consumo e não ensinada a ser feliz com o que tem. Logo vai aparecer algum carro, iate, relógio melhor que o seu, e você vai sentir que o que você realmente precisava para ser feliz é aquele item novo, não o que você já tem. E você entra em uma bola de neve em busca de algo que nunca vai conseguir.

Por ultimo, um ambiente desfavorável pode acabar com nossa felicidade. Lembra que eu falei da pirâmide de Maslow, se o ambiente que você se encontra não te proporciona nem os três níveis, você não vai ser feliz. Venho acompanhando muitos casos de idosos que trabalharam a vida toda, criaram os filhos, conseguiram um bom lugar pra morar, mas ficam o dia inteiro sem contato social. A maioria destes idosos são depressivos.

Como ter saúde mental em um mundo louco

Vou listar algumas coisas que você precisa para alcançar a saúde mental e conseguir ser feliz.

Regulação emocional: já falei sobre a importância da regulação emocional acima, aqui vou explicar o conceito e como consegui-la. Regulação emocional é a capacidade de resignificarmos a realidade para que esta nos afete menos. Um exemplo: a pessoa esta indo trabalhar e passa um carro em uma poça e lhe dá um banho. Uma pessoa sem regulação emocional vai pensar “PQP, que FDP, não viu que eu estava aqui? Agora vou ter que voltar pra casa, me atrasar para o trabalho, vou levar uma bronca do chefe, corro o risco de ter desconto do atraso na folha de pagamento e não conseguir pagar as contas que já estão atrasadas..” e por aí vai. Uma pessoa que tem controle emocional vai pensar “PQP, que FDP, me molhou inteiro. Bem fazer o que, agora vou ter que ligar para meu chefe, explicar a situação e voltar trocar de roupa”.

As duas situações citadas acima a pessoa ficou com raiva, porém na primeira ela alimentou essa raiva, o que pode lhe trazer outros problemas, como estar irritada no trabalho pelo acontecido e brigar com alguém. A segunda ficou com raiva, mas não alimentou a raiva, e teve condições de resolver a situação da melhor maneira possível. Isso é regulação emocional, é pensar de uma forma que não aumente as emoções negativas. Você consegue isso de duas formas, treinando pensar deste jeito ou fazendo psicoterapia.

Resiliência: está ligada a regulação emocional, é a capacidade de resolução de problemas e de persistir apesar do desconforto visando um bem maior. A resiliência precisa ser treinada desde pequeno, os pais devem ensinar isso para os filhos. Se o filho não aprender no seu desenvolvimento, só vai aprender se tiver em uma situação muito difícil ou através da terapia.

Controlar o estresse e a ansiedade: para isso alem de regulação emocional e resiliência a pessoa tem que conhecer técnicas para lidar com o estresse, como exercícios de respiração, de relaxamento, praticar exercícios aeróbicos. Em casos estremos, ou de personalidade ansiosa, a psicoterapia é a melhor indicação.

Ter momentos programados de lazer: o lazer é importante para descarregar o estresse, diminuir a carga de pressão mental e recarregar as energias. Também são momentos que podem ser utilizados para fortalecer os vínculos familiares e comunitários. Digo programado por ter pessoas que só querem lazer e não trabalha, e outros que trabalham muito e não tem lazer. É necessário um equilíbrio.

Convívio social: nós humanos somos seres sociais. Mesmo que alguns dias queremos ficar sozinhos, precisamos de interações sociais. Pessoas que permanecem muito tempo sozinhas tem grande chance de desenvolver depressão. Inclusive um dos primeiros sinais da depressão é o isolamento social junto com a alteração no sono.

Dormir bem: o sono tem uma função reparadora, tanto do corpo quanto da mente. Um dos primeiros sintomas de transtorno mental é a alteração no padrão do sono.

Praticar atividade física e ter uma alimentação saudável: como diz um ditado, corpo são, mente sã. Doenças no corpo vão ter impacto psicológico, e quanto mais grave a doença, maior o impacto. Desta forma ao cuidar do seu corpo você está cuidando de sua saúde mental. Não estou falando pra você ficar bombado ou magérrima, que são os padrões de beleza da sociedade, estou falando de manter um funcionamento adequado do corpo de acordo com seu biotipo.

Autoconhecimento: se você não possui um autoconhecimento, não sabe o motivo de agir de determinada forma em certas ocasiões, você não vai ter saúde mental ou ser feliz nunca. O autoconhecimento pode ser alcançado através da religião, da música, da arte, da meditação, da psicoterapia. É um processo para a vida toda.

Religião: muitas pesquisas indicam que uma religião pode fazer com que a pessoa tenha mais resiliência e menos transtornos mentais, independente de qual for.

E, por fim, Fazer terapia: assim como fazer atividade física é importante, fazer terapia também pode ser um caminho para você conseguir ser feliz. A terapia é um processo de autoconhecimento que ajuda a você a analisar e modificar o próprio comportamento, e também a adquirir habilidades que lhe faltam para ser feliz, ou mudar hábitos que te prejudicam.

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